1.11.08

Um Amor Camponês - Mariá Ortolan


Você tinha jurado pra mim que éramos somente um. Éramos como aquele camponês na floresta amanhecida, onde ouvia os pássaros e os cochichos dos peixes. Tudo que tinha pensado pra gente você me levou embora, e entregou a uma rapariga da esquina debaixo de casa. O nosso amor tão corriqueiro, tão vaporoso e frágil, não se desfez, estava adormecido, e agora, que outro alguém vem beijá-lo me desperta um odor de fúria, de repulsa, de indignação. O camponês virou burguês e a simplicidade já é mesmice, nada de tão inovador do que uma boneca de plástico.Eu procurava sentir aquela brisa de que todos os livros me alertavam que iria sentir no primeiro beijo, tudo meu foi tão vago, tão incompleto e complexo, comigo era diferente, você disse que talvez pudéssemos ir viajar pra Paris ou até mesmo pegar uma motocicleta e ir ao Chile. A magoa desse amor que acabou, que nem sei se posso dizer que é amor, vai e vem com o toque do telefone, como o balançar de meus cachos do qual você ficava a tentar desvendar os mistérios do meu roda-moinho. Tudo isso já está bem longe daqui, e tudo por causa da falta de companhia do meu ser, da minha alma solitária e impiedosa, ela ainda escreve cartas de amor, para um outro sentimento que anda perdido aqui por dentro. Ainda amo você.

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