6.9.10

Só amor mesmo.

     Sentar e refletir sobre o que minha alma quer falar, e sobre o que meus dedos podem, suportam, escrever. É uma estranha sensação.
Falar de pessoas, falar da minha mãe, falar de mim, falar dele... tantos contos e nenhum remédio para essa minha dor. Vocês sabem, e eu também sei: isso é pura frescura de mulher feita para sofrer, feita para o masoquismo, feita para uma vida terrível a base de felicidades momentâneas e sorrisos falsos. Nasci para isso, nasci para chorar compulsivamente até os meus 30 anos, eu acho.
Tem dias que o Sol nasce mais brilhante e o ar mais puro, então eu acho que isso é ser feliz, eu então, tola desse meio jeito meio caipira de ser, falo que a partir de hoje não irei mais chorar, não irei mais me importar com economia, mendigos, amor, mãe, sociedade, fome e pobreza... Eu decido, por alguns instantes ser de outro planeta e me sentir leve, mesmo com toda essa massa corpórea. Mas eu tento.
Tento em vão e pessoas acompanham essa minha tentativa e me julgam totalmente diferente do que é realmente.Nunca, absolutamente nunca, afirmei ser alguém fácil, mesmo fazendo um esforço tremendo para parecer ser fácil, parecer ser simpática. Não sou assim. Juro que tento de novo, mas parece que é algo relacionado à essência. 
Também nunca implorei amor, mentira, você implorou amor sim, mas nunca tive uma cara de pau, ou nunca tive tão mal a ponto de pedir que me amassem, pedir com todas as letras.Acho que isso é algo tão "fim de linha" . Tenho medo de chegar assim um dia, tenho medo de ter que implorar amor dos meu filhos, do meu marido, da vendedora de fósforos, do frentista do posto... Tenho medo de me tornar alguma coisa que eu acho que já sou, tem ideia de como isso é conflitante e vergonhoso? Já tinha dito isso: procuro pessoas que me levem para longe dessa minha tendência de me autodestruir, dessa minha tendência de chamar atenção, de achar que o mundo inteiro pode estar me enganando. Preciso de pessoa assim, que me entendam como se eu fosse o ultimo grão de areia da ultima praia do planeta: frágil, só frágil, mas esse grão não pode aparentar ser frágil, caramba, ele foi o ultimo!Ele lutou tanto para permanecer vivo, e ninguém pode desmerecer ele!
Não gosto de ser o grão de areia que se acha o ultimo até ver uma imensa praia deserta.Não mesmo. Mas vocês acham que eu gosto de tudo isso, vocês acham que eu gosto de ouvir legião num dia triste só para chorar mais, vocês acham que eu gosto do isolamento, da solidão, da angustia, da "defensiva"que você tanto critica. Só preciso de um ajuda que vem em frascos escrito "amor". Sem genéricos, sem prescrição, só amor mesmo.

Um comentário:

Ana D disse...

Amor cura tanta coisa ne rs