12.10.10

O dia em que você não veio



Colocados em cima da mesa, desde o principio: minha fragilidade, meu desespero perante a vida, minha deficiência de auto estima, meus problemas familiares e etc.Mesmo assim surgiu um eco do outro lado da mesa enorme que disse sim a todos esses empecilhos. 
Era como se a mesa não suportasse qualquer tipo de arranhão, qualquer tipo de mudança: não suportava passar da sala de jantar para a sala de jogos - certas coisas são apropriadas para comer, outras para divertir, pena que hoje isso já se confunde muito.
Hoje foi o dia que me sentei a mesa e não ti vi, pelo meu binóculo, do outro lado da mesa. Você não veio jantar. Não veio comer toda aquela angustia de menina mimada que foi iludida por uma porra de amor a la carte.Hoje a mesa estava vazia de intrigas, vazia de carinhos, vazia de sonhos, vazia de planos de verdades e mentiras, vazia de amor, vazia de afeto, vazia de tesão, vazia do silencio da hora de comer. Vazio foi o que deixou para mim essa noite.
Dai eu paro para pensar: o que faz alguém não vim jantar? O que faz alguém não querer ir jantar? A companhia, a comida, o ambiente. Três itens que são decisivos na hora de sentar-se a mesa.
Foi pensando assim que eu comecei a chorar e meu prato fundo se enche de lágrimas amargas, com um gosto horrível que nem o vinho tinto consegue tirar o gosto na boca.
Pouxa, eu não tenha nada para oferecer: nem companhia boa, nem comida boa e nem ambiente bom. Você teve razão de não vir ao meu jantar.
Que companhia que sou eu quando começo a chorar a mesa, compulsivamente, dizendo que nada ta bom, que nada é do jeito que quero, e soltando, entre uma colherada e outra que te amo- mas isso você não houve, está distante demais tentando não afundar um jantar já em um submarino.
Comida? Coitada, só se for eu e a torcida do Muro Alto, não é? O que se poe nessa mesa são só filosofias baratas, angustia desvairadas, carinho sexual e amor de carne vermelha. Acha isso saudável de acordo com as regras da nutricionista?
Agora o que matou foi o ambiente, eu sei. Desculpe, é que estamos em obra, obras que estão em andamento desde o dia 1º de março de 1994. Desculpe.
Então foi assim: eu, boa e tola, achei que o tal amor,o qual eu ouvir ecoar um dia do canto da mesa, suportaria a companhia ruim, a comida ruim e o ambiente ruim, mas me enganei. Amor? De novo me pergunto: em qual cardápio está vendendo amor?

4 comentários:

Ju Fuzetto disse...

Acho que o amor é um prato exclusivo que não fica nos cardápios. Talvez ele fique no meio do misto quente!

Adorei o texto!!
beijo

Mariana Rodrigues Costa disse...

É... não sou boa pra falar sobre amor... Mas vc é, fiaa.. ^^
Texto muito bom, muito expressivo, parabéns!
*abraçoos*

Anamarela disse...

Obrigada pela visita! Adorei.... estes textos são seus??? Maravilha... Ana

Alguém! disse...

Retribuindo sua visita.

Interessante suas postagens. Estive dando uma olhada e gostei muito do seu blog. Abrange diversos conteúdos, todos de uma maneira um tanto quanto pessoal. Tens um belo conceito sobre as coisas. Muito bom. Parabéns!